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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

UMA PASSAGEM PELA SERRA

Durante um período de três anos, viajei de caminhão por SP, PR, SC e RS, o que me permitiu conhecer muitos lugares, porem a atividade não permitia, embora a vontade fosse enorme, de parar em alguns locais e fazer um pouco de turismo.
Foi neste período que tendo o caminhão uma avaria a qual tive que deixá-lo na concessionária da MBB em Xanxere, para efetuar os devidos reparos, fui para casa de ônibus e alguns dias depois , já que teria que levar algumas peças para o mesmo, aproveitei e fui de triciclo.

O MUSEU ARQUEOLOGICO DE LOMBA ALTA EM ALFREDO WAGNER

Um dos locais que sempre me despertava a curiosidade era o museu arqueológico existente em Alfredo Wagner, situado na comunidade de Lomba Alta.
Esta foi então a oportunidade de conhecê-lo.
Fundado em 2002, foi uma homenagem pelo cinqüentenário de morte de Alfredo Henrique Wagner, onde foi construída uma replica da casa do mesmo, e se depositou um imenso material arqueológico, geológico, indigena, numismático, e outros itens usados no dia a dia da colonização.
Devido a um pequeno descuido de minha parte, quando fui tirar algumas fotos, é que vi que minha câmara estava com as pilhas descarregadas e infelizmente não encontrei na comunidade local onde comprá-las, não levei fotos, mas valeu a visita e as imagens desta vez ficam apenas em minha memória, mas pretendo ainda um dia voltar ao local, vale a pena.
Sai do museu e segui pela BR 282 diretamente até Xanxere, mas na primeira oportunidade comprei as benditas pilhas, para não ficar na mão numa próxima oportunidade.
Enfrentei uma tromba d’água logo após Campos Novos, mas foi rápida e após a PRF já brilhava o sol, e assim foi até Xanxere, onde cheguei pouco antes de fechar a concessionária, e deixei as peças.

EM XANXERE

No dia seguinte dei mais uma passada na concessionária e como não poderia deixar de ser, tirei algumas fotos com os mecanicos no triciclo e em seguida dei inicio ao retorno, pois ainda tinha outros lugares para passar.

DIVERSÃO AS MARGENS DA BR 282

Um dos locais era ao lado da rodovia BR 282 onde, nas muitas vezes que por ali passei, vi algumas vezes cheio de carros, barracas, e pessoas, alguns pescando outros tomando banho, já que o leito do rio (de laje) não muito profundo, permitia esta atividade e não apresentava perigo as crianças que se esbaldavam no local.

Neste dia, talvez por ser em meio a semana, poucas pessoas encontravam-se no local, mas um casal que ali se encontrava acampado, me disse que periodicamente vinha ao local para pescar e descansar e que em fins de semana aquilo lotava de pessoas de toda parte da região, eles mesmo tinham vindo da região de Chapecó, que distava aproximadamente 100 km.

AS MARCAS DA GUERRA DO CONTESTADO

Em Irani, ao lado da BR 153, há um museu sobre a guerra do contestado e ao seu lado um cemitério onde, segundo dizem, estão sepultados muitos dos combatentes que pereceram neste conflito armado ocorrido a quase cem anos.

São poucos os que procuram preservar a nossa historia, que vão aos baús, remexem em velhos livros e manuscritos em busca de fragmentos que venham a contar a historia real dos fatos, muitas vezes estes fatos ficaram apenas na memória dos anciões, que passam de geração em geração, através de suas narrativas mas, a cada geração um pouco dela é perdida ou modificada, e muitas lendas são criadas em torno da mesma.

Por isso agradeço aos historiadores, arqueólogos e aos demais, mesmo os leigos que se entranham na busca de esclarecimento dos pontos obscuros de nossa historia, tão gloriosa, como foram as vidas daqueles que tombaram a disposição da defesa de seus ideais.

O sitio arqueológico de Irani demonstra a preocupação em relação a este contexto, pois busca preservar um pouco desta historia e o entorno dos acontecidos no passado.





Um dos personagens marcantes deste confronto é sem duvida João Maria, que foi personificado como o sucessor ou ainda o próprio João Maria de Agostinho, um monge que percorreu a região e foi considerado um santo. Este novo João Maria, veio a perder sua vida no combate ocorrido em Irani e ali próximo do museu encontra-se o local de seu provável tumulo.



DEVOÇÃO E FÉ

Proximo a Joaçaba existe um monumento em homenagem a Nossa Senhora das Graças, é neste local que muitos viajantes procuram parar para um descanso e tambem pedir proteção no seu dia a dia pelas estradas do Brasil. É a demonstração de fé e religiosidade encontradas no povo brasileiro.

DE ALFREDO WAGNER ATÉ ANITÁPOLIS

Quando eu e meu filho voltávamos do I MOTO URUBICI, em Alfredo Wagner nos adentramos por uma estrada de chão que iria até Anitápolis. Na oportunidade não foi possível tirar muitas fotos e, esta foi a oportunidade de refazer o percurso e registrar algumas paisagens.



Meu triciclo foi bem construído e já demonstrou sua robustez diversas vezes nas inúmeras viagens que fiz com ele onde enfrentei todo tipo de estradas desde as mais precárias até as mais conservadas com asfalto, por isso não tenho medo de trilhar por qualquer tipo de caminho, por mais dificil ou desabitado que seja.

Este caminho tem inicio na cidade de Alfredo Wagner e vai até Anitápolis passando pela localidade de Maracujá, o percurso é todo em chão batido sendo que no inicio encontramos diversas propriedades rurais e, em uma delas vi uma cachoeira a mais ou menos 50 metros da estrada e após pedir permissão aos moradores do local, capturei umas imagens que como podem ver é bonita e esta ao alcance de quem quiser se aproximar, o que não acontece com a outra cachoeira que se avista no outro lado de um cânion, embora distante, nota-se que é grande e deve ter um bom numero de metros de altura o que não dá para precisar devido a mata que a encobre parcialmente, é mais um espetáculo que a natureza nos oferece para deleite de nossos olhos.






O ALTO DA SERRA
Daqui em diante só vamos encontrar matas e reflorestamentos que irão ladeando a estrada, que por sinal esta bem conservada talvez devido ao fato da pouca utilização.
A certa altura já descendo a serra, vamos novamente encontrar diversas propriedades rurais, e pelo visto uma das atividades é o cultivo de frutas e verduras.
O RIO TUBARÃO
É no alto desta serra que estão às nascentes do rio Tubarão, e muitas vezes vamos encontrá-lo ao lado da estrada, porem a cada encontro percebe-se que se avoluma, devido a seus afluentes, a tal ponto que a poucos quilômetros já próximo a Anitápolis, fora antigamente construída uma usina de geração de energia, que hoje desativada tornou-se um ponto de recreação aos moradores da cidade.

ANITÁPOLIS

Não se pode dizer que Anitápolis esteja parada no tempo, mas guarda muito da arquitetura germânica, resquícios de sua colonização, mas o que mais me atrai nesta cidade é o fato ocorrido durante a revolução de 30 num lugar chamado de Serra da Garganta, onde gaúchos entrincheirados cercaram as forças armadas e os soldados da força publica de Santa Catarina, muitos pereceram no local. Esta historia juntamente com outras, tambem jazem no esquecimento dos anais de nossa historia. Ainda não tive a oportunidade de ir até o local, mas ainda o farei.



Um dos caminhos que levam a Anitápolis é por Rancho Queimado pela BR 282, não posso dizer como esta o acesso pelo motivo que faz mais de 20 anos a ultima vez que por ali passei, mas na oportunidade já se faziam preparativos para o revestimento asfaltico, não sei se as obras foram concluídas. Porem o acesso que leva até Santa Rosa de Lima, em alguns pontos quase se tornara intrafegável, ainda mais após a ocorrência de chuvas na região.

Como havia dito anteriormente, o rio Tubarão a cada quilometro ganha volume de seus afluentes e com suas corredeiras segue em direção ao vale, atravessando diversas cidades, como Santa Rosa de Lima que já tem o beneficio de ter um acesso asfaltado.




A partir daí, segui diretamente para casa pois a noite não tardaria e queria estar junto aos meus familiares...




UM POUCO DE AVENTURA


MOTO I SERRA URUBICI

PILOTOS E VEICULOS

José Westrup com o triciclo e seu filho Abelardo com a moto;
Um triciclo de fabricação artesanal ano e modelo 2001, na cor vermelha;
Uma moto NXR 125 bros ano e modelo 2004, na cor azul.

Em lgum lugar proximo aos costões da serra do mar (Grão Pará)

A VIAGEM

Deixando a comodidade de lado, optamos fazer o percurso até Urubici, pela serra do corvo branco, voltando por outro caminho, passando por diversos trechos de estradas de chão, comendo poeira, mas passando por locais com magníficas paisagens como as que encontramos em Imarui, Grão Pará, Urubici, Alfredo Wagner, Anitápolis e São Martinho, o tempo colaborou durante todo o período e assim podemos desfrutar das paisagens por onde passávamos.Programados para sair às 08:00hs do dia 14/08/04, um pequeno contratempo ocasionou um atraso de uma hora, o fato é que no dia anterior deixamos a bateria do triciclo carregando, no estabelecimento comercial de um amigo, e junto com a bateria, é lógico, o triciclo, que ficou “internado”. Combinamos com o amigo, que o mesmo viria abrir seu estabelecimento ás 08:00hs e de imediato pegaríamos estrada, porem o nosso amigo (da onça), se esqueceu de seu compromisso e veio abrir seu comercio no horário normal, ou seja, ás 09:00hs.

ROTEIRO

Saindo de Laguna, de inicio pegamos a BR 101, até o local conhecido por km 37, a poucos quilômetros, dando inicio a um trecho de estrada de terra, passando por comunidades do interior de Laguna e Imarui (37, barreiros, Pescaria brava, Siqueiro, Sitio Novo, Samambaia, São Tomas e Rodeio). Onde foi tirada a 1ª foto da jornada, na divisa entre Imarui e Armazem no local denominado Rodeio, tendo ao fundo a lagoa de Imarui.

Já em Armazém, na localidade de Bom Jesus, atingimos a SC 445 até o centro da cidade, pegando a seguir a SC 431até Gravatal. Ao chegarmos em Gravatal, viramos a direita adentrando a SC 438 até Braço do Norte, cruzamos a cidade e seguimos pela SC 439 em direção a Grão Pará, após esta cidade, novamente rodávamos por estrada de terra, pois embora seja a continuação da SC 439, vamos encontrar asfalto apenas numa pequena extensão já no alto da serra do corvo branco.Neste trajeto passamos pela comunidade de Aiurê, já próximo a serra.Daí em diante tem inicio a aventura e o prazer que toma conta da gente quando se olha os imensos paredões formados pela serra e, as suas costas uma imensa região onde se localizam as cidades citadas e que em dias límpidos pode-se até avistar o mar.

A SERRA DO CORVO BRANCO

A serra do corvo branco foi aberta a braço por homens que no passado viam a necessidade de encurtar distancia entre o planalto serrano e o litoral catarinense, em busca de mercado para seus produtos e também para a compra de gêneros que não eram produzidos na serra, utilizando-se de picaretas, enxadas, pás e mulas. O trecho mais vertiginoso é de pequena extensão, porem o esforço despendido na sua construção deve ter sido enorme, numa época em que maquinas ainda não existiam, paredões de rochas foram recortados dando forma a uma estrada onde por muitos anos foi utilizada pelos tropeiros em suas viagens de comercio, a principio estreita dando passagem apenas a cargueiros, foi ao longo do tempo sendo adaptada às condições atuais, dando hoje passagem até para alguns tipos de caminhões.

Em sua extensão, vamos encontrar cachoeiras, quedas d’água, precipícios e uma flora abundante que reveste as encostas, diversos são os pontos de parada de onde se pode admirar esta exuberante obra da natureza que ladeia a estrada e, por que não dizer admirar também esta obra de engenharia construída pelas mãos de homens decididos que não se detinham pelos obstáculos a eles impostos.

Quem viaja pelo Brasil afora, observa que ao longo das rodovias brasileiras vamos encontrar normalmente ao lado de algum tipo de curso d’água, pequenas grutas, mostrando a religiosidade do povo em geral e, a serra do corvo branco não escapa a esta característica.

Ao se falar em serra, logo vem a imagem de curvas acentuadas, e estas no corvo branco, ganham em disparada da maioria das serras até mesmo a do rio do rastro.

Quando se passa pela serra do rio do rastro, encontramos o conforto do asfalto, as muretas de proteção, a iluminação noturna, e principalmente o ponto de apoio da PRE que constantemente desloca uma viatura pelo trecho em auxilio aos usuários, porem na do corvo branco, nada disso vamos encontrar e diante de uma emergência, necessariamente se deve ter sorte de algum outro aventureiro passar para prestar auxilio ou solicita-lo.

Passar por ali vale a pena, emociona.

Na seqüência, vamos encontrar outros pontos que mereciam ser visitados, mas não o fizemos, pois a intenção era chegar a Urubici. O almoço foi por volta das 02:30hs, num pequeno restaurante, onde fomos bem atendidos e nos serviram uma comida simples, pois, em virtude do horário tivemos sorte de encontrar alguma coisa para saciar nossa fome.

Após o almoço, pedimos informações de onde estava sendo realizado o encontro e se conheciam Robson Tomiello, um amigo do Abelardo de quando estudava e, para nossa surpresa ali estava um irmão dele, assim, obtida as informações, fomos até o local do encontro ver se encontrávamos os demais amigos que viriam de Lages, os quais ainda não haviam chegado, em seguida fomos à casa de Robson onde conhecemos sua família, que por sinal muito amável e hospitaleira logo nos colocaram a disposição um quarto para dormirmos e ainda por cima nos convidaram para comer uma deliciosa lasanha.

De volta ao encontro, fomos encontrar o Sabiá e seu grupo pertencentes ao MC OS CAMUNDONGOS DO ASFALTO de Lages, que já haviam chegado, e já estavam montando acampamento e a churrasqueira de onde beliscávamos um ótimo churrasco.

Como em todo evento de motociclismo que ocorre na região serrana, lá estavam o ELTON e a IARA com sua pequena afilhada, e logo o Elton veio nos dizer que seus sogros o Olnei e a Terezinha também estavam vindo de Laguna, o que a principio não acreditamos, pois até nossa saída eles não haviam falado da intenção de irem até Urubici. Melhor assim, pois ele estava trazendo um petisco que os camundongos adoram: camarão.

O evento foi realizado no parque agropecuário um pouco fora da cidade, mas nem por isto deixou de ser prestigiado pela população local e muito menos pela galera dos MCs, que vieram das mais diversas localidades do estado, marcando presença com suas maquinas de duas e três rodas.

Após comer aquela lasanha, fomos dormir e, no dia seguinte não antes de tomar um ótimo café, nos despedimos de Robson e seus pais e voltamos a dar uma passada pelo evento e a seguir partimos pela SC 439 em direção a BR 282 rodovia pela qual fomos até Alfredo Wagner, este trecho todo em asfalto.

O RETORNO

Como a nossa intenção desde o principio era de percorrer caminhos diferentes, o nosso retorno se deu por Alfredo Wagner, local onde iniciamos um trajeto por estrada de chão passando pelas comunidades do rio Caeté e maracujá, chegando a Anitápolis. Este trajeto nos proporcionou diversas paisagens de propriedades rurais, rios e quedas d’água que despencam pelos paredões de rochas que marcam a região que entremeia a serra e o litoral

Alfredo Wagner


De Anitápolis nos dirigimos a Rio fortuna passando por Santa Rosa de Lima.

De Rio Fortuna, poderíamos seguir por asfalto até Braço do Norte e completar a viagem seguindo a Gravatal, Tubarão e enfim Laguna, mas optamos por percorrer mais um trecho de estrada de chão até São Martinho o que não foi em vão, pois encontramos novamente locais excelentes para o lazer, ao lado de belas cachoeiras.

A viagem já estava chegando ao fim, de São Martinho fomos até Bom Jesus em Armazém e de lá refizemos o trajeto de Rodeio, São Tomas (Imarui) até Laguna, onde encerramos esta pequena aventura, junto a nossa família.

O PROXIMO ENCONTRO

Para o próximo encontro, em Tubarão, patrocinado pelo grupo dos BAGRES DO ASFALTO, pela distancia, algo em torno de 25 km, não terá muita graça em relação ao trajeto, mas para aumentar a emoção talvez iremos atravessar o canal da barra de balsa, passando pelo farol de Santa Marta e camacho até Tubarão.